quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Ás árvores na fotografia não caem as folhas ...

Vale a pena definir uma paisagem por palavras ?

Ser possível é mas quanto a nós não vale a pena ...
O que avistamos no meio de todos os verdes da vegetação, azuis do céu, outras tantas cores diferenciadas e minuciosas, muitas vezes apenas separadas por subtis e quase inapreensíveis matizes. Matizes essas de cores que aos nossos olhos não parecem mais de umas quantas matizes mas que no entanto pressentimos a sua imensa existência numa infinitude cromática.



Para a câmara captar essa existência é parar o tempo e o espaço e permitir a todas as pessoas que olham para a imagem posterior perceber não só o olho do fotógrafo mas também construir a sua própria história.
Citando José Saramago e reescrevendo as suas palavras :
Ás árvores na fotografia não caem as folhas ...

Texto e imagem: CS
Músico: Pat Metheny
Música: "Polskie Drogi"
Albúm: Upojenie


Lightscapes in Blog

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Geoparque Arouca

O Concelho de Arouca tem como principal atracção o seu GeoPark,  fica situado entre o Porto e Aveiro. O Merujal, Mizarela, Albergaria da Serra são algumas aldeias situadas no cimo da Serra da Freita, que juntamente com a Serra da Arada e a Serra do Arestal formam a Maciço da Gralheira.

Um pouco por todo o concelho é possível encontrar as geosítios com milhões de anos. Desde a Pedra parideira, um fenómeno geológico extremamente raro. A Pedra Boroa do Junqueiro, situada no planalto da Serra da Freita no meio de uma paisagem completamente idílica. Talvez um dos sítios do país onde é possível visualizar facilmente trilobites de mais de 280 milhões de anos, um verdadeiro paraíso geológico e paisagístico. A grande frecha da Mizarela, uma das maiores quedas de água da Península Ibérica.



"Pedra Boroa do Junqueiro", um dos Geossítios dos Geopark de Arouca.

Merujal 

São 17h e uma tarde do fim do mês de Julho e acabei de chegar ao Merujal. Logo à entrada da aldeia, vejo um spot magnífico, paro o carro, apontei o azimute da direcção com mais potencial. Senti que havia qualquer coisa. Após verificar os dados, mais agradado fiquei. Lua quase cheia, a nascer perto da hora do pôr do sol, no local que eu queria! Isto esta a começar bem. Tendo em conta que os fotógrafos encontram sempre algo onde pensam que podem melhorar. O que me atraiu essencialmente foi a linha de no topo da montanha, um recorte lindíssimo.O ocaso do sol seria por volta das 21h, ás 19h30 já lá estava. Teria cerca de 1h para inventariar tudo, o que queria seria possível colocar em primeiro plano. Tentando organizar o caos, de câmara na mão procurando algo que fizesse sentido. Então à beira de um precipício de seis metros, encontrei uma composição, que faz jus ao local. A vegetação muito intensa poderia simplificar um chão caótico, esta parte já é subjectiva. Tudo boas razões para eu estar radiante. Com certeza regressarei mais tarde.

"Eternal coincidence"


Serra da Freita

Talvez dos locais com mais beleza e tranquilidade que visitei em Portugal. Este país quanto mais descubro e me perco mais diverso e bonito o acho. Um pequeno vale, com dois picos de linhas suaves, pouco acentuados. Duas oliveiras um pequeno riacho uma vedação feita em pedra. Idílico. A lua, quase cheia, vai aparecer no sítio certo.

"Meet me under the moon"

(Após esta visita ao concelho os fogos intensos fustigaram dias seguidos o Maciço, que empobrecerá mais uma terra esquecida.) Um local pouco conhecido de beleza única, merece mais do que uma visita.

http://www.geoparquearouca.com/

Marco Santos Marques
Lightscapes in Blog

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Fine-Art Collection Cards

Lightscapes in nature photography  


 

 "Special nature Events"

 

"Special Nature Events" photographic art cards show a special events in Nature, like Full Moon Set, Rainbows, Winter solstice, Summer Solstice. Bringing the art to our day life not for causality but for special admiration of beauty by it self are the main goal of this short collections.

 

"Dawn and Dusk"

 

"Dawn and Dusk" photographic art cards show the special light moments in dawn and dusk, showing a magic world. Introducing Nature and Landscape Photography to our day life not for causality but for special admiration of beauty by it self are the main goal of this short collections.

 

 

Share de beauty.

Sets of 5 photographic fine-art quality cards.
15€ (postage not included)
Check out more collections.

 

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Perto de casa!

Neste post vou abordar a correlação entre prática fotográfica e a qualidade de resultados, sem grandes deslocações. Muitas vezes, sinto uma ideia generalizada que as grandes fotos são inerentes a grandes viagens e que só é possível realizar boas imagens em paisagens no país X, na montanha Y ou no sítio Z. Mas a verdade é não temos as condições logísticas nestes locais como temos na nossa área de residência. Ao falar um pouco sobre a minha experiência pessoal transmitirei alguns aspectos que permitam resultados de melhor qualidade,... perto de casa!

Morando eu na grande Lisboa, mais concretamente na linha de Sintra. Considero que é uma sorte ter tanta diversidade de motivos fotográficos. O PN Sintra – Cascais, o Estuário do Tejo e o PN Arrábida apresentam-se como solução. Mas por razões óbvias o PN Sintra – Cascais é a solução mais próxima e consequentemente mais económica e na minha opinião com mais diversidade. Das dunas do Guincho, à Peninha. Do Cabo Raso à Praia da Ursa. Uma diversificada e maravilhosa paisagem costeira, com praias paradisíacas, com areal, com rocha, inacessíveis, acessíveis. Grutas secretas, cascatas sazonais(inverno), um promontório com mais de 50 metros de altura, o ponto mais ocidental do Continente Europeu, o Cabo da Roca, são apenas alguns exemplos.
Com um pouco de investigação é possível encontrar locais poucos visitados com enorme potencial fotográfico. Nos últimos anos, todos estes locais, foram essenciais no meu entendimento e prática regular desta difícil actividade artístico fotográfica. O motivo seja ele qual for é sempre diferente de dia para dia, portanto, desafiante!

A fotografia de natureza tem inerências muito particulares. A luz, o mais importante, é sempre diferente! A sua cor, intensidade e direcção mudam a cada segundo. Este Julho por exemplo apesar dos céus sem nuvens em todo o Continente, a serra de Sintra com uma vida climatérica à parte, esteve dias a fio coberta de nuvens. É necessário ter a percepção de como evolui as condições climatéricas no local, o vento dita a velocidade das transições e normalmente é bem veloz.

Dou como exemplo de duas fotos tiradas na Peninha, Serra de Sintra, os locais onde foram tiradas não distam mais de duzentos metros um do outro. A primeira “Trought the trees“, apesar de conhecer muito bem o local e visitá-lo regularmente, são raras as manhas em que se consiga captar bons momentos de luz com enquadramentos interessantes. Neste caso percebi que existiam grandes probabilidades dos raios atravessarem a copa das árvores, o vento quase inexistente permitia que as nuvens assentassem mais junto ao chão criando uma camada consistente para o raio de sol incidir. Tive sorte, esperei cerca 40 min. e aconteceu, o sol conseguiu atravessar consistentemente as nuvens. 

“Trought the trees“

A segunda “Evanescent Gate“, as condições climatéricas eram aparentemente as mesmas da semana anterior. Mais uma vez, o manto de nuvens humedecia a Peninha. A única diferença era o forte vento. Fazia com que a humidade trazida pelas nuvens ficava-se nas folhas, no topo das árvores e com o vento a água caía. Chovia moderadamente.  Esta foto foi com o chapéu de chuva aberto, nada de complicado. Desta vez o sol pintava a paisagem com pequenas nuances de luz com muita velocidade. A camada de nuvens não é suficientemente consistente. Os raios de luz da semana anterior não chegaram a aparecer.


“Evanescent Gate“


É preciso ter a noção que nem sempre que saímos para fotografar, é possível captar imagens de qualidade. Mais vale poucas imagens com boa qualidade do que muitas de média qualidade. Sem dúvida que fotografar junto a locais nos arredores da nossa área de residência tem muitas vantagens. Conhecer o local em todos os seus aspectos e visitá-lo regularmente. A probabilidade de captar algo diferente e especial aumentará.. perto de casa!

Posteriormente até se tornará mais fácil conseguir boas imagens em locais que só visitarás uma vez na vida. Mas isso leva-nos a um novo post.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Photoshop; amigo ou batoteiro????

Vou falar acerca da utilização do Photoshop no trabalho fotográfico. Assunto que por desconhecimento leva a más interpretações tornando muito difícil passar a mensagem contida na foto, deixando de lado o espírito que cada foto emana, de cada local e de cada um de nós.
 "Void"

Sou muitas vezes interpelado sobre o resultado final de determinada foto, com este tipo de frase. "Que foto bonita!!!...mas tu só consegues fazer isto porque utilizas o Photoshop!!!" Como quem pensa: "és um batoteiro assim também eu!"  Pergunto: Existe uma tabela ou uma regra? Com diferentes níveis de utilizaçao?… Ou "fotografia" que é fotografia, não o deveria permitir a utilização do Photoshop? Penso que tal ideia é no mínimo... aprisionada!!
"Vanished"

Sempre foi intuitivo no homem a busca de conhecimento, de fazer mais e melhor, mais alto, mais além e na fotografia não é diferente. Desde cientistas, dentistas, biólogos, família, viagens, etc., a fotografia é a adaptável a qualquer vertente das nossas vidas esse facto é mais evidente nas ultimas décadas.
Vivemos numa época em que cada pessoa tem uma máquina que cabe no bolso de uma camisa, portanto cada um é fotografo, cada um tem uma opinião...
A minha opinião é que o Photoshop é um meio de expressão artística que tem credibilidade como qualquer outro meio, quer para quem crie de raiz, para quem processe fotografias ou para outra finalidade qualquer. Como se um pintor fosse obrigado a pintar sempre com o mesmo pincel, como se colocássemos em causa o processo do pintor quando vemos o quadro finalizado. Numa fotografia existem quase sempre duas pessoas, que a tirou e quem a vê. Quem a vê ou gosta ou não gosta, não deverá filtrar a sua opinião pelo processo que levou até ela.

"Long time submission"

Há cem anos demorávamos um minuto a tirar uma foto de família, um retrato, hoje é possível tirar uma fotografia no crepúsculo a um/a motociclista a 200KMH, completamente parado ou congelado. O ISO das máquinas cada vez emitirá menos ruído a níveis mais elevados de utilização, fotos nocturnas que parecem de dia. Tudo vai no sentido de se conseguir melhores resultados. Não me parece que a utilização do Photoshop desvirtue o resultado final de uma fotografia, vejo sim como uma ferramenta poderosa, refinador das capacidades existentes num ficheiro retirado pela máquina. Desde a investigação que antecede a foto, o clique na máquina, a impressão ou apresentação na Web tudo tem o seu “know-how”, quanto mais refinado e controlado for esse processo melhores serão os resultados finais, tanto na Impressão com na Web. Todo este processo, denominado "workflow", está em evolução constante mediante novas aprendizagens. Já em 1930 alguns dos resultados obtidos eram através de técnicas complicadas de "sala escura". Adulterações, batota?!?!? Claro que não!! É necessário ter uma visualização do que se quer. Através destas técnicas dominavam as tonalidades como alteravam a exposição em determinado local da foto. Naquela altura tomara muitos terem o Photoshop. Presentemente as técnicas mais sofisticadas permitem um controlo livre de químicos nocivos à saúde, com facilidade de estarmos sentados em frente ao computador.

Cada pessoa tem um grau compromisso e exigência com o seu trabalho. Eu, gosto de apresentar o melhor resultado, que sei, com todas ferramentas disponíveis para todos, o sol, a lua, conhecer mapas, conhecer a marés, caminhadas sem fim com mala de X quilos às costas, estar no sítio certo à hora certa, Lightroom, Photoshop, etc... e muitos outros assuntos. Não só a fotografia de paisagem, muitos outros tipos de fotografia são por si só, o reunir de conhecimentos das mais diversas áreas, quanto mais conhecermos o motivo, mais probabilidades teremos quando a oportunidade surgir estar lá conseguir fotografar fazendo talvez a foto da tua vida.













"Triptych from the florest"

"O Photoshop permite uma infinidade de opções,... é uma porta aberta para a criatividade!"

Com trabalho e domínio dos processos mais cedo ou mais tarde os resultados vão aparecer.

Marco Santos Marques
Lightscapes in Blog

domingo, 13 de junho de 2010

Sombras no trigo e vacas em pose

As fotos apresentadas são relativas uma visita que fiz na passada semana à zona da Barragem do Pego do Altar, mais precisamente em Barrancão e Gradil, em terras de cortiça, procurava algo que se destaca-se, uma árvore despida, morta, um recanto Alentejano, qualquer coisa diferente. Discerni esta sombra! Mas tinha alguns problemas primeiro não ser notado na sombra da foto, segundo apesar dos 17mm da objectiva 17-40mm na full- frame uma foto não seria suficiente para captar uma sombra deste tamanho, teria que fazer uma panorâmica com a cabeça de bola. Bonito!

Armei-me em magrinho, reduzi a distância focal para 24mm, alinhei a bolha da sapata a bolha superior e fiz o movimento rotativo com a coluna central do tripé. Três fotos horizontais.



 "Shadows in the wheat"

Sombra de um sobreiro no topo do monte nas cearas de trigo, entre Barrancão e Gradil.




Acabei por encontrar pouca coisa ou nada ao meu gosto, decidi fotografar estes bovinos, apesar de nada selvagens, foi talvez pelo seu hábito a  estarem com os humanos, que conseguiram compreender que esta foto seria meio segundo, portanto teriam de se estar quietinhos, a olhar para a máquina.
Um enquadramento que mínimo é interessante !


 "Cows Pose"

Bovinos de Gradil, após o por do sol, iluminados pelo crepúsculo. 1/2sec. f6,3 iso 640


Marco Santos Marques
Lightscapes in Blog

terça-feira, 8 de junho de 2010

Porto Covo - Praia da Samouqueira

A Praia da Samouqueira, é uma das praias de mais fácil acesso do Parque Natural Sudoeste Alentejano. Situada perto da Vila de Porto Covo e é uma das praias mais fotogénicas do Parque, um paraíso para fotógrafos de Natureza. Com uma entrada a norte e outra a sul. A norte ladeada por uma cascata que no inverno chega a alcançar um caudal enorme a de sul fica inacessível quando maré está cheia. Gosto de a visitar de vez em quando e quanto mais a visito mais tenho a sensação que os "spots" são infindáveis, encontro enquadramentos poderosos em todo lado. Como acontece em locais que conhecemos bem.


"Window of light"
Janela de luz, uma abertura dentro da tempestade que acabara de chegar.

Apesar de ter como ideia que quanto mais natural for a luz melhor, mas tento manter uma abertura de espírito no modo de abordar cada foto. Uma delas “Artificial approach”, como o nome indica uma abordagem artificial, é um desses exemplos. Mas primeiro gostaria de partilhar as fotos que levaram à concepção dessa foto. Experimentei o mesmo enquadramento com vários tipos de luz;




· céu limpo com o topo da rocha iluminado pelo sol e o resto da rocha à sombra
· céu coberto com nuvens, motivo  quase sem sombras
· céu pouco nublado, sombras suaves

Nenhuma delas me pareceu dinâmica e poderosa, como o “Artificial approach”.


“Artificial approach”

“Artificial approach” surgiu com a ideia de criar uma foto, que mistura-se a luz natural e a pintura artificial com flash. Escolhi o vermelho para fazer contraste de cor com o azul do céu. O flash branco sem cor equilíbra. Este é o resultado final de duas exposições a primeira para o céu 30sec. f/13 iso200 a segunda para toda a rocha 126sec. f/13 iso200.


Marco Santos Marques
Lightscapes in Blog